Capacitação de quadros do GGPEN na área espacial

A capacitação de quadros é definida como o processo de desenvolver e fortalecer as habilidades, instintos, habilidades, processos e recursos que organizações e comunidades precisam para sobreviver, adaptar e prosperar em um mundo em rápida mudança.

De acordo com a visão do Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN), que é “tornar o país numa referência de excelência no âmbito espacial com reconhecimento a nível mundial na criação e capacitação de quadros altamente qualificados nas áreas de Engenharia e Tecnologia espacial”, desde 2018, o Gabinete tem investido arduamente na capacitação de quadros a nível de mestrado para os seus especialistas.

Desde 2021, encontram-se em Toulouse – França, três engenheiros nomeadamente, João Júnior, Júlio Morais e Osvaldo Porto, a frequentarem os cursos de mestrado nas áreas de Gestão de Projectos Aerospaciais (APM) e Aplicações Espaciais e Serviços (SPAPs). Abaixo são relatadas as suas experiências durante este processo de formação.

Por: Osvaldo Porto

O Mestrado Avançado em Gestão de Projectos Aeroespaciais (Aerospace Project Management) prepara os alunos para uma carreira internacional em gerenciamento de projectos na indústria aeroespacial e de defesa. Este programa permite desenvolver habilidades e conhecimentos avançados de gestão para gerir equipas de projectos internacionais.

Uma das experiências marcantes foi a participação como System Engineering Manager, num projecto providenciado aos alunos sob a forma de um RFP (Request for Proposal), para fornecer a solução de um sistema de entregas de encomendas via drone “Drone-based delivery System” na cidade de Shenzhen, China, a ser implementado no ano de 2023.

Numa equipa constituída por cinco membros e bastante dinâmicos, a sua função foi de Systems Engineering Manager, cuja missão principal foi garantir que todas as partes isoladas dos sistemas pudessem ser integradas. Entre os entregáveis mais importantes, estiveram o design das Estações de Entregas dos drones (Drone Delivery Center), Centro de Operações (Ground Control Center) e o ciclo de vida do produto (Product Lifecycle).

Numa dinâmica de aprendizado “Learning as you go”, este projecto fornece uma experiência única de obtenção de conhecimento e colocá-lo em prática a medida que se vai aprendendo.

Por: Júlio Morais

Entre as experiências mais marcantes, destaco a participação no projecto Fill Rouge, que visou apresentar uma proposta de solução ao cliente da Universidade com base nos requisitos definidos no plano de negócio apresentado pelo mesmo. Este projecto é parte do programa de Mestrado e encerrou a parte teórica da formação. O projecto Fill Rouge é um projecto de construção de drones vocacionados para fazer entregas de mercadorias nas grandes cidades, que deverá ter como ponto de início das actividades a cidade chinesa de Shenzhen. Neste projecto o Eng.º Júlio Morais trabalhou com quatro engenheiros franceses, onde foi o Gestor de Aquisições, cujas principais responsabilidades foram:

  • Desenvolver o plano de gestão das aquisições – após a equipa responsável pelo desenho do drone e das operações, foram submetidas as necessidades para a concepção do drone ao gestor de aquisições, este por sua vez, é responsável por encontrar potenciais parceiros para fornecer os equipamentos necessários para o fabrico do drone.
  • Desenvolver o plano de gestão durante o ciclo de vida do drone, desde a fase de introdução do produto ao mercado, passando pelas fases de crescimento, maturidade até a fase de descarte.

Uma outra experiência importante, foi a visita a unidade da AIRBUS que serve de integração de aeronaves fabricadas por esta instituição que do ponto de vista de gestão de projecto permitiu entender o processo de integração dos projectos relacionados a construção de aeronaves.

Por: João Júnior

No decorrer do período lectivo do mestrado de Serviços e Aplicações Espaciais, foram realizados diversos projectos dos quais um dos mais marcantes e relevantes foi o projecto denominado EYES ON ICE apresentado ao Centro Nacional de Estudos Espaciais de França (CNES).

No referido projecto, fomos convidados a propor uma solução para a questão relacionada com o reduzido número de companhias de navegação na região do árctico por razões de segurança e o elevado número de acidentes das companhias que operaram naquela zona.

O colectivo de estudantes dos quais o Eng.º João Júnior fez parte, desenvolveu uma plataforma de serviço baseado na web que define as rotas marítimas mais seguras e mais curtas com base em imagens de satélite. A plataforma tem a capacidade de monitorar concentração de gelo do mar, potenciais Icebergs e a espessura do gelo marinho. Essa plataforma utiliza algoritmos de machine learning para classificar a superfície do oceano e um algoritmo de navegação para optimizar o caminho percorrido para evitar áreas perigosas.

Essa solução possibilita a definição de rotas mais seguras para encorajar a navegação no árctico e reduzir o consumo de combustível/emissões de carbono através da redução do tempo de navegação.