ANGOTIC 2026: acordos assinados reforçam posição de Angola entre os maiores programas espaciais de África

O Director-Geral do Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN), Zolana João, afirmou esta quinta-feira que os memorandos e acordos assinados no âmbito do ANGOTIC 2026 representam um passo estratégico para o fortalecimento do Programa Espacial Nacional, destacando a cooperação como um elemento essencial para o desenvolvimento do sector espacial.

Segundo o responsável, o sector espacial exige elevados investimentos, conhecimento especializado e parcerias estratégicas, razão pela qual Angola tem vindo a estabelecer uma rede de cooperação a nível nacional, regional e internacional para acelerar o crescimento do seu programa espacial.

Entre os acordos nacionais, o Director Zolana João destacou as parcerias com a UNITEL, visando identificar formas de colaboração para a expansão dos serviços de conectividade e Internet através de infra-estruturas espaciais em todo o território nacional, bem como com a Mercury, empresa de referência na comercialização de capacidade de satélite, reforçando a distribuição dos serviços suportados pelo ANGOSAT-2.

Foi igualmente assinado um acordo com o Fundo de Apoio às Telecomunicações (FADCOM), com o objectivo de apoiar a expansão das infra-estruturas de comunicações para localidades mais remotas do país, bem como com o Instituto de Fomento da Sociedade da Informação (INFOSI), permitindo a utilização do novo centro nacional de dados, uma infra-estrutura considerada fundamental para a estratégia de soberania digital de Angola.

No plano regional, o Director-Geral do GGPEN destacou os acordos estabelecidos com o Gabão, que permitirão a troca de experiências e o desenvolvimento conjunto de iniciativas espaciais, bem como a parceria com a Nigéria, considerada uma das maiores referências africanas no sector espacial.

Outro marco importante foi a assinatura do acordo com a Telecom Namibia, tornando a Namíbia o primeiro país da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) a comercializar serviços suportados pelo ANGOSAT-2.

Após cerca de seis meses de testes para serviços de voz e dados, a operadora namibiana manifestou satisfação com os resultados obtidos e avançou para a fase comercial, criando condições para a expansão da presença do satélite angolano em toda a região da África Austral.

A nível internacional, Zolana João destacou a cooperação com entidades portuguesas para a mobilização de empresas europeias e oportunidades de empreendedorismo para jovens angolanos, bem como a assinatura de um acordo com a empresa norte-americana Symphony Space, uma startup tecnológica que desenvolve soluções espaciais inovadoras com potencial para beneficiar Angola e outros países africanos.

Todos os acordos celebrados têm como principal objectivo a transferência de conhecimento, o desenvolvimento de competências e a criação de novas oportunidades para os quadros nacionais.

"Estes acordos vão permitir-nos adquirir conhecimento único, a nível local, regional e internacional, fortalecendo as capacidades do Programa Espacial Nacional e contribuindo para que Angola continue a afirmar-se entre os cinco maiores programas espaciais do continente africano", concluiu.

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