Hugo do Nascimento

Mestre em Serviços e Aplicações Espaciais, pelo Instituto ISAE-SUPAERO, França

Principais protocolos usados na comunicação via satélite DVB-S e DVB-RCS


 

Imagine você, um pequeno empresário que detém o seu negócio num dos locais mais remotos da capital da tua província, precisaria de internet para comunicar com a sua rede de distribuição de produtos, anúncios em redes sociais, estar informado e fazer transações bancárias. Já se perguntou como esse empresário consegue fazer chamadas de voz via WhatsApp? Ou mesmo fazer um live pelo Facebook? Neste artigo falaremos do processo de estabelecimento da comunicação via satélite, e dos protocolos usados para garantir essa versatilidade nas comunicações.

Protocolos DVB – S e DVB – RCS

Protocolos são regras detalhadamente descritas para estabelecer, controlar e governar a comunicação entre dois sistemas interligados.[1] Tecnicamente são especificações padronizadas que expressam como iniciar e finalizar a conexão, como formatar a ligação, isto é, que tipo de modulação será usada, o que fazer se os dados chegarem com erros ao destinatário.

DVB – S, DVB – RCS e suas evoluções (DVB-S2, S2X/RCS2, RCS+M) são padrões para difusão de vídeos digitais, áudios e dados nos canais de comunicação via satélite (do Inglês, DVB – S/DVB-RCS – Digital Video Broadcasting Satellite/ Return Channel Satellite) usados no enlace de encaminhamento (do Inglês, forward link) e no enlace retorno (em Inglês, return link) [2]. Esses protocolos são aplicados na arquitectura de redes da comunicação via satélites que se encontram alocados na órbita geoestacionária.

Esses padrões especificam como deve ser a estrutura do pacote, a modulação do sinal, a codificação do canal, a sincronização entre as diferentes requisições dos usuários finais.

 

Arquitectura de redes de satélites geostacionários

 

Quatro elementos precisam ser distinguidos, porque são os principais elementos na rede de comunicação via satélites: o Satélite, o Terminal de satélite do canal de retorno (do inglês, RCST - Return Channel Satellite Terminal) normalmente conectado ao usuário final, o centro de controlo da rede (do Inglês NCC - Network Control Center) e a porta de acesso (do Inglês, Gateway - Gw). [3]

O controlo em tempo real e governança das conexões que são alocadas ao terminal do satélite (RCST), é feito através do centro de controlo da rede NCC, enquanto que a porta de acesso garante que a rede de satélite se comunique com uma rede externa por exemplo, com a internet. [4]

Sistema em si é bastante evoluído que permite, adaptar – se as condições do meio em termos de modulação do sinal, atraso e erros (do inglês, delay/error), a sincronização com todos os terminais do satélite conectados aos usuários finais, alocar a largura de banda de acordo com a requisição do usuário final, bem como as prioridades das conexões.[5] 

 

Processamento de uma chamada em zona remota

 

Retornando ao nosso exemplo do nosso empresário la em cima, que vive em zonas remotas, ao fazer uma chamada pelo WhatsApp (usuário final), requisita ao sistema de comunicação via satélite, a alocação da largura de banda adequada para a comunicação por voz, ou por vídeo caso a chamada seja por vídeo, ou mesmo dados (por exemplo, o envio de uma imagem de produtos em colecta) e só então depois de se estabelecer a conexão a chamada é efectuada ou é feito o envio da imagem.

De mencionar que o processo descrito acima, foi feito de modo muito simplificado, para permitir a percepção de uma chamada por meio das redes de satélites.

 

Angola estrategicamente busca essas tecnologias.

 

Com a necessidade de conectar o território nacional, levar a comunicação nas zonas mais remotas e prestar esse tipo de serviços, tais como internet e tv digital, o Estado Angolano através do Programa Espacial Nacional, apostou e tem apostado na construção de infraestruturas modernas, como o Centro de Controlo e Missão de satélites construído na Funda e o ANGOSAT-2 que em 2022 estará em órbita, de modo a garantir o uso desse tipo de protocolos para poder criar valor, na vida do cidadão. 

 

Referências

 

  • https://en.wikipedia.org/wiki/DVB-S2
  • platine_DVB-S/RCS tested for the next generations
  • Voip over DVB – RCS with QoS and bandwidth on demand
  • Gerard Maral, Michel Bousquet – Satellite communications

 

Autor

Hugo do Nascimento

Mestre em Serviços e Aplicações Espaciais, pelo Instituto ISAE-SUPAERO, França

Mestre em Sistemas de Telecomunicações e Multicanais, pela Universidade RSREU, Rússia.