Bevania Martins

Técnica Sénior do Canal de Controlo de Serviço no MCC

Estudos na universidade aeroespacial ISAE-SUPAERO no contexto da COVID-19 em França


A pandemia global de coronavírus (COVID-19) afectou quase todos os aspectos da vida das pessoas em todo o mundo. Actualmente, mais de 300 milhões de pessoas são forçadas a trabalhar ou estudar remotamente. [1]

A pandemia continua a impactar negativamente a vida quotidiana das pessoas, os negócios, a economia, o turismo e muitas outras áreas. Segundo especialistas, as consequências da pandemia continuarão em 2021.

Assim sendo, o mundo como nós conhecemos mudou drasticamente e não voltará a ser como antes. No princípio de 2020, muitos países foram afectados pelo coronavírus e não demorou muito tempo para o mesmo chegar até a França. Pouco tempo depois, foi necessário tomar medidas de prevenção contra o vírus e fazer mudanças radicais em todos os sectores.

Desta feita, a Universidade Aeronáutica e Espacial ISAE-SUPAERO, uma das melhores universidades aeroespacial do mundo não ficou de fora nestas medidas.  No âmbito das orientações baixadas pelo presidente da França Emmanuel Macron, tomou como primeira medida a suspensão das aulas presenciais até novo aviso e os estudantes que pudessem regressar para as suas casas foram recomendados a fazê-lo.

A universidade ficou em pausa (com as actividades suspensas e as instalações fechadas) enquanto se trabalhava em novas dinámicas e métodos para dar continuidade as aulas no formato online, uma vez que o ano lectivo ainda não havia terminado e muitos alunos aguardavam os seus exames, as suas defesas semestrais, o início dos seus estágios etc. Como resultado, foi adiada a data de fim do ano lectivo que deixou de ser Outubro 2020 para Dezembro de 2020.

Para muitos estudantes, esta fase do confinamento mudou o percurso do seu calendário académico adiando então muitas fases. Os estudantes do último ano tinham de fazer um estágio para o seu segundo semestre académico, o mesmo, teria lugar entre Março ou Abril. Por causa do confinamento, a maior parte dos estágios foram adiados para os meses de Maio, Junho, Julho e uns até Setembro.

Para os que tiveram início em Maio, a maior parte começou em regime de teletrabalho. Para os que, infelizmente, foram adiados para Setembro, isto pode condicionar o ano lectivo para eles porque a maior parte dos estágios têm a duração de 6 meses, e assim só poderão graduar-se  no próximo ano.

Ao mesmo tempo, muitos estudantes perderam os estágios porque tinham de o fazer em outros países, e devido a situação do Covid-19 e o encerramento de muitas fronteiras (incluindo a francesa) não conseguiram se deslocar para os respectivos países onde deveriam realizar os seus estágios. Alguns estudantes tiveram que permanecer no campus universitário por não conseguirem regressar para as suas casas, ou por ter em suas famílias pessoas que pertencem aos grupos de alto risco em casa e assim preferiram ficar nas suas residências estudantis. [3]

Durante este confinamento, a universidade disponibilizou sessões de aconselhamento online para os estudantes que estavam a ter dificuldades com a situação e que precisavam conversar com alguém, pois o isolamento pode ser muito difícil para algumas pessoas.

Os seis (6) estudantes angolanos que neste momento se encontram a estudar na ISAE-SUPAERO, encontram-se todos em bom estado de saúde e tiveram o início dos seus estágios semi-presenciais nas empresas Airbus Defense & Space, Aerospace Valley e Spaceseed entre os meses de Maio e Junho. 

Hoje, a França como muitos outros países encontra-se em fase de desconfinamento gradual, mas no que concerne as instituições académicas o regime mantem-se online. 

Vale lembrar que em Angola, as aulas do Ensino Superior estão suspensas desde o dia 24 de Março e que apesar da interrupção das aulas presenciais, no âmbito da prevenção contra a Covid-19, o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação recomenda que os estudantes devem realizar trabalhos académicos determinados pelas instituições de Ensino Superior. E tudo aponta para que o referido período de suspensão seja prorrogado por mais tempo, atendendo à evolução da pandemia no país. [4]

Neste contexto, diante de tantas incertezas, alguns estudantes e docentes servem-se da internet para interagirem e realizarem as actividades inerentes ao universo académico via e-mail e redes sociais, mais, particularmente, em grupos no Whatsaap. Nestes grupos os docentes orientam trabalhos, disponibilizam sumários, explicam os conteúdos mais complexos via teleconferência e avaliam as respostas às questões colocadas aos estudantes para legitimar a cobrança de propinas.

Por razões de várias ordem e falta de um sistema de ensino a distância, as universidades públicas e privadas no país apresentam-se com dificuldades para a continuação da formação, o que em certa medida dificulta o aproveitamento dos estudantes caso esta situação se prolongar por alguns meses.


Autora:

Bevania Martins

Mestranda em Serviços e Aplicações de Satélite em Toulouse, França

Técnica Sénior do Canal de Controlo de Serviço no Centro de Controlo e Missão de Satélite da Funda, Luanda

 

Revisado por:

Departamento de Ciências Espaciais e Pesquisa Aplicada do GGPEN 

 

REFERÊNCIAS

 

  1. O Ensino superior turco durante a pandemia de COVID-19. Disponível online:

https://www.trt.net.tr/portuguese/ciencia-e-tecnologia/2020/04/26/o-ensino-superior-turco-durante-a-pandemia-de-covid-19-1405625

 

  1. França fecha escolas e universidades. Disponível online:

http://www.rfi.fr/br/fran%C3%A7a/20200312-fran%C3%A7a-fecha-escolas-e-universidades-a-partir-de-segunda-estamos-apenas-no-come%C3%A7o-da

 

  1. Campus France. Pandemia de Covid-19: Medidas Destinadas aos estudantes Na França. Disponível online:

https://www.bresil.campusfrance.org/pandemia-de-covid-19-medidas-destinadas-aos-estudantes-na-franca

 

  1. Jornal de Angola. Covid-19: Ensino universitário em tempos de isolamento. Disponível online:

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/covid-19-ensino-universitario-em-tempos-de-isolamento